quinta-feira, 16 de julho de 2009

She's dead

Ela tenta gritar. Eles não escutam. Não podem escutar.Ela só quer dormir. Num sono longo e profundo. Então, ela morre outra vez, como tem acontecido a muito tempo, desde que de fato morreu.Quem a matou? Um desconhecido. Por quê? Mesmo morta, ela acredita que nem ele sabia o porquê. Facadas. Lentas e tortuosas facadas. A menina sente o sangue quente escorrer por sua barriga, por seus braços, por seu corpo jovem. A dor a dilacera, junto com o desespero, e o sorriso diabólico estampado na face de seu algoz.Ela está morrendo, sabe disso. Uma morte lenta, vazia e sem esperança. Rezar por Deus ainda assim é algo em que ela se sente reconfortada. Não que a dor diminua, longe disso. Mas ela sofre tanto neste pequeno momento, que parece durar uma eternidade, e pede ao desconhecido que não a torture mais, que faça de uma vez. O homem nem ao menos se importa com sua dor. Seu sorriso doentio é algo difícil de esquecer. Então, ele simplesmente sai, e a deixa agonizar no chão de pedra de um beco escuro, úmido e frio. A vida se esvai aos poucos, como se brincasse com seu sofrimento. Pouco a pouco. Pouco a pouco. Quando se dá conta, ela está tão vazia quanto o céu sem estrelas daquela trágica noite. E somente sobra a dor. A garota repassa em sua mente milhares de vezes incessantes, e sofre. Sofre, chora, se desespera. Mas ela está morta, nada pode fazer, e também não consegue se esquecer. Doe cada cicatriz que se reabre com as lembranças cruéis. Em seu desespero silencioso, o grito sufoca na garganta. Pessoas. Muitas delas, mas que sequer a podem escutar em sua lamúria sem fim. Assim tem sido, mas ela sequer se lembra há quanto tempo. Parecem dias. Parecem anos. Parecem séculos. O medo de lembrar-se de tudo novamente a impede de saber quanto tempo está sofrendo. Sequer se lembra de como é o canto dos pássaros, o brilho do Sol. Ela não sabe quanto tempo continuará assim até que enlouqueça. Então, dorme silenciosamente. Numa esperança de não ter mais pesadelos, de se esquecer de tudo, e descobrir o significado de sonhar.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Andando por ruas que nunca vi,
Eu sigo pra onde o vento for.
Aqueles bons tempos não voltarão.
Mas novas coisas estão a vir.

As estrelas brilham hoje pra mim
Brilharão sempre, sempre.
Eu posso fazer um pedido mesmo sabendo
Que depende só de mim virar verdade.

Um sonho, um pensamento.
Coisas que não quero que se apaguem
Estão pouco a pouco escapando de minhas mãos.
Não vou deixar que o passado se repita.

Hoje eu sei que o amanhã é só o amanhã.
Eu não posso esqueçer meu erros,
Mas eu posso perdoa-los.
Seguir para onde o Sol se põe.

Eu desejaria viver as mesmas coisas
Sempre com mais intensidade,
E cada dia seria mais um dia,
Cada momento seria inesquecivel.

Um olhar, um sorriso.
Coisas que eu não consigo apagar.
Essas lembranças me fazem sorrir.
Mas o futuro me permite não fraquejar.